MINHA HISTORIA COM AS MOTOS

Tudo começou em Cruzeiro do Oeste PR, por volta de 1972,   (17 anos) quando  convenci meu pai a comprar uma Yamaha 50cc, para que pudesse  ir aos    bancos, fazer cobranças e ir a escola,uma vez que o Sr. Paulista, único guarda da cidade, estava doidinho pra me pegar dirigindo sem carteira, sendo que,  no posto de gasolina de meu pai,   eu  lavava  a      sua linda Kombi, pra fazer aquela média, sem nada cobrar.

Mas a idade de 16/17 anos mostrava minha irresponsabilidade,      batendo na traseira do fusca de minha irmã em Umuarama, caindo nos arreiões da estrada de Mariluz,   onde ia fazer cobrança na  prefeitura e ainda levando meu amigo na garupa; tirando o   miolo do escapamento para irritar o povo da cidade inteira,  principalmente  da   rua    Peabiru na subida;    entrando   com   a moto   na sala de aula do Colégio Estadual quando acabava a energia   elétrica  suspensão pela diretora);          queimando as pernas  das meninas pelo escapamento;    e finalmente   um tombo   cinematográfico,   quando   ia  para  o  Colégio, carregando na garupa meu amigo Carlinhos, em que a prefeitura colocou cascalho  onde todo dia passava pulando os buracos.    Meu pé ficou preso nos aros da rodas e    tiveram que cortar os aros da roda para tirar meu pé; O Carlinhos foi jogado   a   uns   20  metros,   e   felizmente      nada aconteceu com ele;  quebrei o braço, o pé e me ralei toda a barriga; a moto se acabou, e fiquei muito tempo com medo de  andar de moto ….

do Oetse

O tempo passou, e em 1980, recém contratado em Jaru/Rondonia, logo com os primeiros salários comprei uma Yamaha TT 125. Na época construíam a rodovia BR 364 e voltando de uma festa em Ouro Preto do Oeste, cerca de 50 kms, um pouco alcoolizado, capotei no cascalho, ralando as pernas, barriga, braços e a cara.

Depois de quase 20 anos, de novo floresce aquela paixão por motos, mas já casado, com os filhos em crescimento, mais responsável (não muito ainda!), quando a Honda lançou  a Shadow 600, estilo custon, pronto, é essa!!     Pequenas viagens, Ariquemes, Ji Paraná,  Guajara Mirim, novos amigos, e a primeira viagem longa e internacional foi marcada, em 1.999 para a Venezuela.     As motos foram de balsa de Porto Velho a Manaus e de lá passamos por Roraima, atravessamos a Venezuela, ferry, Ilhas de Margaritas…      Na viagem com os Amigos Lirio (Kavasaki), Gilberto (Harley), Severino e eu com as Shadows, e o Palito com sua camionete para apoio. Todos com suas esposas.    Uma viagem de muitas histórias, e a maior delas foi minha derrapagem numa curva das montanhas venezuelanas onde fui pro chão (Ahh se tivesse um ABS)  e a Ana detonou o joelho.      Dai pra frente, a Ana foi na camionete com a perna engessada,  e em Margaritas voltou de avião.     Como foi a primeira viagem longa, aprendi muito com o Lirio, depois de muitas barbeiradas.       Lembro bem que na volta, de Boa Vista a Manaus foi só chuva, e minha capa de chuva bem vagabundinha, ficou quase toda rasgada, e coladas com fita adesiva.   Também não posso esquecer do prego que deu na Harley do Gilberto e a Shirley empurrando a moto; do varal de roupas do Palito no Hotel;

Essa Shadow foi pintada de preto, guidão alto, sirene, pinturas exóticas, toda customizada, e não parava de comprar penduricalhos para a moto, e  deixou também muitas histórias inesquecíveis, como aquela que na estrada as bolsas de couro encostaram no escapamento e começou a pegar fogo nas roupas; ou aquela entrada triunfal de motos na arena Parque de Exposições de Rolim de Moura, com todas as luzes apagadas, aquela fila de motos com os faróis acesos,  tocando o Pink Floyd….. e aplaudidos!

142

Nessa época em Porto Velho, o Clube de motos Amazon Angels, era a sensação da cidade, e assim conhecemos muitos amigos como o Coronel Gutemberg, João Carlos, Marcinho Maluf,  Janio, Milton, Ovidio, Ayres, Edmundo Santiago, Gauchinho, Elthon, Geraldão, Góis, Tiago, Carbone, Kaká, Nelson, Cristiano, Ivo Lucena, Ivon  além de outras figurinhas que por lá apareciam com suas belas e potentes motos e nunca  fizeram uma viagem sequer.   Em Ariquemes tinha o Lírio, o Gilberto e o Lobinho,  em Ji Paraná tinha o Valdir Gordo Sabido e o Nego, em Cacoal tinha o Góis e o Euclides, além de  muitos outros por todo interior do estado.

AmazonAngels_RO

Sendo presidente do Amazon Angels construímos um bar estilizado no parque de exposições de Porto Velho muito badalado.

img303
Bar sede Amazon Angels

Éramos chamados para abertura de todas as exposições no estado, e muitas eram as festas, estávamos em todas!!     Era muito concorrida a entrada no clube e o batizado era na base do cemitério, banho de óleo e festança. Algumas lembrancinhas inesquecíveis, uma delas numa festa na mansão do Zé Gonçalves, eu e o Gutemberg, representando o Amazon Angels,  fomos no palco cantar com a banda, combinamos com o cantor da banda, e fazíamos parecer estar cantando, e no final aplaudidos!!!     A Outra foi numa posse de diretoria, com discursos inflamados, que uma das mulheres  quis fazer intervenção!!!   Outra, em Rolim de Moura, levando para o Hotel, o Ivo todo alcoolizado, de moto, eu na minha e ele na dele,  segurando no guidão da minha e a outra mão no guidão da moto dele, conseguimos chegar, e chegando, soltei da moto dele, e ele se espatifou no chão!!!

Uma pena que o clube esfacelou-se e a sede bar foi perdida, mas ainda está na lembrança de todos… e muitas vezes nas minhas viagens encontro adesivos do Amazon Angels.

Sempre de olho numa moto maior, consegui adquirir uma Yamaha Virago 1100  (era lindona!!), e nelas fizemos muitas viagens, não esquecendo aquela de Porto Velho a Curitiba, que levei minha filha Erica na Garupa.    Consegui troca-la numa Suzuki LC 1500 que era a sensação do momento, pelo tamanho, cilindradas, malas laterais e traseiras, uma máquina!!!  Era a nova paixão!!!   Os sonhos sempre aumentavam, principalmente com o aparecimentos das Harleys e das  big traills.

dilter virago11
foto estrada 3

Já em Campo Grande em 2005, consegui vender a minha Suzuki LC 1500 a um militar de Goiania que veio a Campo Grande buscá-la, e chegando aqui se encantou com a moto, e sem habilitação e sem nunca ter pilotado uma moto, partiu para a estrada.  Fiquei preocupado, até que ele me ligou dizendo que chegou.   Ufa!

Mudei o estilo, partindo para as Big Trail  e adquiri uma  GS 1200 Adventure, ano 2003, estilo big traill, que foi recomendação do Lirio Rigon, e   logo foi paixão a primeira vista, tanto que nunca mais deixei a marca BMW.  Nossas estradas  sempre foram cheias de panelas, quebra molas, e a Big Trail veio a calhar, tanto pela sua suspensão, pelos freios ABS, pela potencia do motor, dirigibilidade, tanque de 30 litros, injeção eletrônica, enfim uma super moto.

Vendi essa relíquia a um paulista que até hoje me provoca mostrando as fotos da princesa.

  As grandes viagens começaram aparecer nos sonhos, e juntamente com meu amigo de viagens e de trabalho Heitor, planejamos a primeira na Europa, através da empresa de turismo com motos Edelweiss, onde com as motos BMW GS 800 rodamos parte da Alemanha,  França, Suiça e Austria.   Viagem fantástica, com muito aprendizado e muitas histórias para ser contadas.     Após  o tour, fomos a Portugal, onde juntamos meu brother Evaldo com sua Suzuki Boulevard 1800, alugamos uma GS 1200 e uma Suzuki VStron 800 (Heitor) e partimos ao norte português (Porto / Vigo) chegando a São Tiago de Compustela  e La Corunã na Espanha, fazendo uma parte dos caminhos de peregrinação ( mas de Moto!)

DER (600)r6
dt5yy
06

Dessa  saudosa relíquia  passei pela GS 1200 sport e cheguei ao topo com essa moto atual que já se encontra com 139 mil quilômetros rodados, ano 2015, GS 1200 Adventure, pela qual sou apaixonado!    A Azurra!!  Nas estradas, ela me emociona, a poderosíssima, inigualável, e nunca poderia imaginar que daquela Cinquentinha barulhenta, um dia  poderia estar pilotando minha máquina de ultima geração, com controle de tração, de suspensão, motor , e moto que anda 103 mil quilômetros somente fazendo manutenção de pneus, troca de óleo, pastilhas de freios e regulagens.

DSC00955
P_20171110_144948

Gosto tanto dessas GS 1200, que já comprei em Portugal uma GS 2005, com 89.000  km rodados, e ja esta com mais de 100.000,  pra quando for lá ter uma moto pra passear.

P_20170724_171341

Minhas viagem começaram por todo Brasil, de Campo Grande a Rondônia,  ao Rio de Janeiro, ao Paraná, Bahia,  Nordeste Brasileiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,  Brasília, Minas Gerais, intercaladas com Europa, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia, Ushuaia,  Tenho orgulho de dizer que na América do Sul só falta a Colômbia e o Equador, para onde já tenho planos.

Andei muito de moto na Europa, com a moto de meu irmão Evaldo, que mora em Fatima, Portugal, e tem uma Suzuki Boulevard 1.800cc, e nela já Fomos a Espanha, França e Italia (Bolonha, Veneza, Cinque Terre, La Spezia, Verona, San Gimigliano, Florença,  Padua, Rimini, Pisa, Siena, Imola, Vicenza, Ferrara, Parma, Genova, e outras.

Das viagens que fizemos, eis as maiores quilometragens:1

  • 1º) Colombia (BO, PE, EQ e CO)………………………………………..14.200 km
  • 2º) Ushuaia…(PY/AR/CH)………………………… 13.293 Kms
  • 3º) Santiago/S Pedro do Atacama (Chile) e Argentina ……………  7.904 Kms
  • 4º) Peru / Bolivia – Machu Pitchu………………………………. … 7.686 Kms
  • 5º) Mendoza/Argentina, Assunção/Paraguai e Santiago/Chile..   7.542 Kms
  • 6º) Nordeste Brasileiro – João Pessoa ……………………………………. … 7.400 Kms
  • 7º) Litoral Baiano – Ilheus e Porto Seguro………………………………..  4.036 Kms
  • 8º) Europa –  Italia ………………………………………………………………………  3.850 Kms
  • 9º) Europa – Alemanha / Austria / Suiça / Esp / Port…………………. 2.750 kms

Pelas Minhas contas, já rodamos de moto, aproximadamente 334.000 Kms…

Até agora descrevi minha paixão por motos, mas não poderia deixar de relatar a minha paixão nº 1, que já me acompanha por 35 anos, na garupa em todas as viagens, me conduzindo, me orientando, me massageando, fazendo sinais e gestos, fazendo suas orações, de olho nos quebra-molas, que já derrubei da moto por três vezes.     Mas companheira é companheira e não abandona nunca a garupa, que já andou por mais de 5 mil quilômetros na garupa tomando antiinflamatórios, com dores musculares de um pequeno tombinho que pegou bem no cóccix        Não fosse ela, não estaria feliz e nem fazendo essas viagens loucas para lugares  exóticos.    Não sei andar sozinho, a Ana sempre esteve do meu lado, para o que der e o que vier.   Ela também curte a moto, adora a maciez da suspenção, dá tchauzinhos para as crianças nos carros da estrada, agradece aos motoristas pela deixa, fica braba quando alguém atrapalha ou faz barbeiragem, não gosta de  andar devagar, nem com muita velocidade, adora viajar na chuva,  me chama atenção quanto ao cansaço, mas também dorme na garupa!!      Quando sinto o seu capacete bater no meu, já sei, ela está cochilando, e então um pequeno cutucão para acordá-la…..  Esta é a minha grande Ana!!   Minha companheira inseparável!!  O amor da minha vida!!

64429836-897e-4d98-8725-e0ec6b65969f-2.jpg

Sei muito bem que nas grandes viagens, fiz muita barbeiragem, entrei na contramão, esqueci do quebra mola, deixei a moto tombar por diversas vezes, levei muitas multas, passei por sufocos, medo, aperto, aquaplanagem, falta de gasolina, risquei pneu, pneu careca, pedi informação a milhares de pessoas,  falei em português, espanhol, inglês, francês e alemão, passei por uma rotatória por 8 vezes e não conseguia achar a saída, andei muito nas chuvas, vi tempestade, raios caírem ao meu lado, me molhei todo, passei por estradas boas, ruins, rípios, arreiões, auto pistas, passei por ferries, pontes detonadas, pontes imensas, montanhas de 5 mil metros de altitude, serras apaixonantes, curvas de Fórmula 1;      Passei muito frio, que as mãos tremiam; Passei muito calor, que o suor me molhou todo; Passei por ventos fortes que a moto andava inclinada; Dentro daquele capacete, já cantei muito, dei muitas risadas, agradeci muito a Deus, chorei de felicidade por estar diante de meus olhos tantas coisas maravilhosas.      Conheci muitas pessoas por essas andanças, pessoas boas que me ajudaram, outras que não deram a mínima, outras que sonham em ter uma moto dessa.    Tiramos muitas fotos, de muitas paisagens, de muitas pessoas que encontramos pelos caminhos, mas nenhuma foto mostra o que nossos olhos veem.   É magnífico ver com os próprios olhos esses lugares nos quatro cantos do mundo…

Gastei muito dinheiro, em motos, revisões, peças, pneus, capacetes, roupas especial para motos, capas de chuvas, GPS, luvas para frio e para calor, botas, segunda pele, e um monte de penduricalhos, queimei muita gasolina, muitos hotéis bons outros péssimos, e tudo isso deu um significado a nossa paixão… e o que vale são os momentos que passamos pilotando essas máquinas maravilhosas!!

Alguns da minha família e alguns  amigos me acham que sou louco, que falta algum parafuso, me pedem para vender a moto e viajar de carro, de avião, de trem.      Quanto falo que andamos 1.200 km num dia, das 6 as 18 horas, pronto, és maluco!!       Não sabem eles que preferimos andar de moto do que de carro, que sentimos mais segurança numa moto do que num carro, e que somos muito felizes fazendo o que gostamos.  E que, andar de moto não é para qualquer pessoa, somente os  corajosos, é que podem!!!     È claro que a maioria nos admiram, pela coragem, pelo entusiasmo, pela confiança, pela força de vontade apesar da idade avançando,  pelas nossas viagens fantásticas,  e que nos acompanham pelo blog, pelo Facebook por onde andarmos.

Em 2013 resolvemos fazer um blog para contar nossas histórias, nossas viagens, nossas dificuldades, nossas fotos, nossas loucuras.    O Intuito maior do blog foi para que quando envelhecermos, possamos ao lado do troféu, na sala, todo iluminado, ver os nossos sonhos realizados.

E quando não puder mais levantar as pernas para montar na moto, vou saber se está na hora de parar , de trocar por uma moto mais baixa, quem sabe um triciclo, ou partir para um hobby mais aventureiro…..

Campo Grande (MS), dezembro de 2017 / junho /2020

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: